O Leão das Pistas - Um Britânico veloz e Informal

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Nos anos 60 e 70 a televisão mostrou para a criançada e até adultos o divertido desenho animado O Leão da Montanha dos estúdios Hanna-Barbera. O felino cor de rosa sempre que estava em perigo soltava seu preferido bordão: - Saída, pela esquerda! E no mundo do automobilismo um piloto excepcional também ganhou o apelido de “O Leão” dado pelos italianos na sua passagem pela Ferrari. E este leão mordeu as pistas de vários continentes por um bom tempo e com muita vontade. A Inglaterra nos brindou desde o começo da década de 50 com pilotos de grande quilate. Um deles foi John Michael Hawthorn que infelizmente teve carreira curta por causa de um acidente mortal numa estrada em seu país. Foi campeão mundial em 1958 e também vencedor das 24 Horas de Le Mans. Da mesma época outro grande foi Stirling Moss que apesar de não ter sido sagrado campeão chegou perto várias vezes e fez carreira brilhante. 

Na década de 60 nomes como Graham Hill, Jin Clark, John Surtees e figuraram como estrelas de primeira grandeza. Na década de 70 James Hunt pilotou entre 1973 e 1979 e sagrou-se campeão mundial em 1976. Outras promessas desta época foram os ingleses Roger Williamson que morreu num grave acidente em Zandvoort. Outro piloto de muito valor, David Purley, tentou socorre-lo sem sucesso.

 

Na década de 80, estreava na Fórmula máxima das corridas de pista um nome que faria muito sucesso. Era Nigel Ernest James Mansell, mais conhecido por Nigel Mansell nascido em Upon-on-Severn no condado de Worcestershire a noroeste de Londres em oito de agosto de 1953.

Na sua infância fez estudos na cidade de Birmingham e no tradicional Matthew Boulton. College também nesta famosa cidade. Neste o ensino era segmentado em química, física, engenharia elétrica e mecânica, matemática e metalurgia. Nesta época já se interessava muito pela mecânica, por aviões e pelos carros de corrida. Com pouco dinheiro, vendendo alguns poucos bens e desaprovação total paterna Nigel começou a correr de kart em 1968 mostrando muito talento e garra.

Em 1976, aos 23 anos de idade estreava na disputada Formula Ford inglesa vencendo neste mesmo ano seis corridas em nove disputadas. O motor de quatro cilindros destes monopostos, chamado de Ford Kent, equipava versões especiais do Ford Cortina e Capri de série.

No ano seguinte já era campeão da categoria vencendo 80 % das provas. Um fato grave o fez interromper a carreira em 1977 quando teve um sério acidente quebrando o pescoço nos teste de qualificação no famoso circuito de Brands Hatch. Os médicos que o trataram na época suspeitaram que ele ficasse paraplégico e deveria permanecer no hospital durante longos seis meses. Mostrando muita vontade de viver e tenacidade voltou depois de apenas três meses as pistas. No mesmo ano e ganhou o campeonato de seu país. Correu apenas uma corrida com uma Lola T570 e o restante da temporada com o Javelin JL5 e o Crossle 25F

No ano seguinte participou de várias categorias entre elas a Fórmula Dois, Três e o campeonato inglês de turismo com um BMW 320i ganhando em Donington. Nesta época tinha como sérios adversários Martin Brundle e Tiff Needell. 

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Em 1979 fincava o pé na Fórmula Três com a ajuda de sua esposa Rosanne, casados há três anos, pois venderam a casa onde moravam para que Nigel pudesse sustentar a temporada. Foram 15 corrida com um March 793 e apenas uma vitória em Silverstone.

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Graças a sua combatividade era observado por grandes mandatários da Fórmula Um. E um dos principais homens na época era o genial Colin Chapman dono da escuderia Lotus que usava o excelente motor Cosworth. Nigel era o piloto de testes da equipe que na época contava com o italiano Elio de Angelis e o ítalo-americano Mario Andretti. Nesta época a temporada contava com pesos pesados como Alan Jones, Nelson PiquetCarlos Reutemann, Jacques Laffite, Didier Pironi, René Arnoux, Riccardo Patrese, Keke Rosberg, Gilles Villeneuve, Emerson Fittipaldi, Alain Prost e Jody Scheckter entre outros. Alguns eram novatos como ele e seriam grandes rivais de Mansell. Infelizmente a Lotus não estava muito bem nesta época.

 
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Em 1981 Nigel estreava na Fórmula Um tendo como companheiro de equipe o também jovem italiano Elio de Angelis. Foi uma temporada muito fraca para a Lotus e melhor resultado de Nigel seria um terceiro lugar na Bélgica em Zolder.

Em 1982 as coisas não mudariam muito nas pistas. Seu companheiro ganharia na Áustria em Zeltweg e no final do ano Chapman falecia. 

Em 1983 a Lotus enfraquecia. Trocava o motor Cosworth pelo Renault, mas ainda não apareciam bons resultados. Nigel chegou em terceiro no Grande Prêmio da Europa realizado em Brands Hatch. Pelo menos seu público pode vê-lo em seu primeiro podium. 

No ano seguinte estreava o novo Lotus-Renault 95T com motor V6 Turbo e conseguia outra vez dois terceiros lugares. Um foi na França em Dijon e o outro na Holanda em Zandvoort. Em Mônaco, debaixo de um pé d’água mostrou pela primeira vez suas garras e assinou sua primeira pole position no Grande Prêmio de Dallas nos Estados Unidos. Era seu último ano na Lotus. 

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Em 1985 estava em nova equipe e um novo desempenho lhe esperava. Na Williams-Honda tinha como companheiro o finlandês Keke Rosberg que também era um piloto muito rápido e audaz. Frank Willians estava bem ancorado com seus rapazes e nosso querido Ayrton Senna havia assumido seu posto na Lotus.

Em junho keke mostrava em Detroit nos Estados Unidos que o motor Honda era bom. Ganhava a corrida e Nigel venceria em casa na pista de Brands Hatch e na seguinte em Kyalami na África do Sul. Ficou em sexto no campeonato vencido por Alain Prost com a McLaren-TAG. 

Em 1986 era o ano dos motores turbo todos limitados a 1.500 cm³. A disputa foi duríssima, seu novo companheiro era o excelente brasileiro Nelson Piquet que ganhou a primeira prova no Brasil. Era uma época de ótimos pilotos na Fórmula Um. Nigel Mansell mostrando que estava ali para trabalhar muito venceu em Spa-Francorchamps na Bélgica e logo depois no Canadá em Montreal. Ayrton venceria a seguinte em Detroit e Nigel nas outras duas seguintes em Paul Ricard na França e novamente em Brands Hatch. Em Setembro, em Portugal no autódromo de Estoril tornava a vencer e fechou o ano como vice-campeão. A diferença foi de apenas dois pontos. 

O ano seguinte o bólido branco azul e amarelo, Williams FW11B, não teve concorrentes à altura. Nigel vencia em Imola, Paul Ricard, Silverstone, Zeltweg, Jerez na Espanha e também a prova mexicana. Piquet vencia o campeonato, Nigel seria o vice e a rivalidade entre os dois beirava a intolerância. O clima na equipe não era bom e iria piorar no ano seguinte quando a Willians perdia o motor Honda para a Mclaren. Na carreira de Nigel 1988 foi um ano a ser esquecido. O motor Judd era muito fraco perante a concorrência e irregular. Seu único trunfo foi a melhor volta e um segundo lugar em Silverstone debaixo de uma tempestade. 

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A equipe vermelha da Ferrari recebia o inglês de braços abertos e os fanáticos torcedores deram-lhe o apelido “Il Leone”. Estava com um motor de doze cilindros em “V” com 3.500 cm³ com poderosos 660 cavalos. No Brasil, em Jacarepaguá, Nigel vencia sua primeira prova pela escuderia. Levou o boxe a loucura, mas muita coisa ainda estava por vir. Seu companheiro de equipe era o austríaco Gerhard Berger e a Ferrari só voltou a vencer em Budapeste na Hungria. Nigel ficava em quarto no campeonato atrás de Alain Prost, Ayrton Senna e Riccardo Patrese num ano muito tumultuado. Nigel também se mostrou indisciplinado em algumas ocasiões.  

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Em 1990 a Ferrari cometia um erro grave que outros times já haviam feito. Ter uma dupla de primeira. Para fazer companhia a Nigel chamaram Alain Prost que havia ganhado o campeonato anterior. Num ano disputado por Prost, Senna e Piquet, Nigel só ganhou em Estoril e ficara muito insatisfeito com a Ferrari. Era relegado ao segundo plano e merecia tratamento igual. Em julho em Silverstone chegará a anunciar que abandonaria o esporte. Fez a pole com um tempo bem abaixo dos demais e na corrida muito disputada nas primeiras vinte voltas, Nigel foi traído pelo cambio. Mas o show dado por ele no México, no circuito Hermanos Rodriguez, foi inesquecível tirando o quinto lugar na prova. Rodou, perdeu a posição para Berger e o ultrapassou num local dificílimo com o pé embaixo. 

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Em 1991 volta para Willians vestindo o macacão azul. A equipe que estava com o possante motor Renault e tinha o experiente Riccardo Patrese como colega. Ganhou três corridas seguidas no meio da temporada esquentando o campeonato. Foram em Magny-Cours na França, Silverstone e Hockenheim na Alemanha. Tornava a ver primeiro a bandeira quadriculada em Monza e também em Barcelona na Espanha. Terminou o ano em segundo atrás de Senna.  Se no horóscopo chinês o ano 1992 era o ano do macaco a partir de fevereiro na Fórmula Um foi o ano do Leão a partir de março. E em Kyalami na África do Sul a torcida viu a vitória de Nigel Mansell. O motor Renault RS4 tinha dez cilindros em “V”, 3.493 cm³ e despejava a bagatela de 750 cavalos a espantosos 14.000 rpm. Este Willians FW14B tinha suspensão ativa, freios ABS e caixa semi-automática. Ganhou outras oito corridas na África do Sul, México, Brasil, Espanha, San Marino, França, Inglaterra e Portugal. Fez o recorde de quatorze poles, e oito voltas mais rápidas totalizando 108 pontos no Campeonato Mundial de Fórmula Um quase o dobro do segundo lugar Riccardo Patrese. A glória e o sonho haviam chegado para o homem de bigode de 39 anos que em vários momentos se comportava como um adolescente dentro e fora das pistas. Era um herói inglês e mundial. A equipe Williams-Renault também foi campeã e Nigel Mansell se retirou da categoria com cabeça erguida e com muita honra. 

Em 1993 ia para os Estados Unidos correr para o time do excelente ator Paul Newman(abaixo) na equipe Newman/Haas Racing. Newman sempre foi um aficcionado por carros velozes e corridas. Era bom piloto também.

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Na IndyCar fazia sua estréia sem nenhuma timidez já ganhando no circuito de rua de Surfers Paradise. Ganhou ainda em Milwaukee, Michigan, New-Hampshire e Nazareth. Fez sete poles, totalizou 191 pontos e ganhou o campeonato vendo um público vibrar muito em cada vitória. Foi uma sensação para os americanos e ganhou o título estreante do ano (Rookie of the year) com causa. 

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Em 1994 por causa da morte de Ayrton foi chamado por Willians para pilotar outra vez um bólido de Fórmula Um. Ganhou a última prova em Adelaide na Austrália.  

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No ano seguinte teve um breve relacionamento com a Mclaren e em 1996 com a Jordan Peugeot. Preferiu se retirar.
Com o sangue felino ainda fervente correu no campeonato de turismo inglês com um Ford Mondeo sem maiores resultados.



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Em 2005 e 2006 animou a festa no GP Masters, uma bela tentativa de fazer competir com carros quase idênticos pilotos com mais de 40 anos de idade e vários anos de experiência na Fórmula Um. 

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O leão ganhou a primeira prova e mais outra deste campeonato que participaram pilotos famosos como o brasileiro Emerson Fittipaldi, os franceses René Arnoux e Patrick Tambay, os italianos Andrea de Cesaris, Pierluigi Martini e Riccardo Patrese e ainda o inglês Derek Warwick e o alemão Hans-Joachim Stuck. Todos eram convidados e por falta de patrocínio a categoria infelizmente não passou de meados de 2007. 

O inglês Nigel Ernest James Mansell foi um exemplo de tenacidade e competitividade dando muita alegria a quem o viu correr. Todas as manhãs de domingo eram muito mais animadas e divertidas com ele e concorrentes de peso como não se vêem mais. Acompanhou os filhos Leo e Greg na Fórmula Atlantic. Ambos incluindo sua filha Chloe e esposa Rosanne devem sentir muito orgulho do grande Leão. 


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No Grande Prêmio da Inglaterra, Nigel foi um dos comissários de pista, em 06 de julho de 2014. 

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Deu uma entrevista à Rubens Barricello e como sempre esbanjou simpatia. Aqui ao lado do grande Jackie Stewart.
 




O Duelo Ford Fusion: Mansell versus Piquet.

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No ano passado foi veiculada na TV uma ótima publicidade da Ford onde Nelson Piquet e Nigel Mansell voltaram a duelar nas pistas a bordo do lançamento do novo Ford Fusion. 

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O filme simplesmente é ótimo, com cenas de bastidores, comentários e é nítido como o nível de ambos é elevado na pilotagem. Uma aula de como correr de carro. Lógico que há provocações tanto na pista quanto fora. Nelson ganha a corrida, mas Mansell fez a melhor volta. Ótimo, da vontade de ver várias vezes!
  


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