Arrojo Argentino

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Conhecemos nosso país vizinho, a Argentina, pelo tango, pela bela capital Buenos Aires, pelos vinhos e por seu famoso churrasco citando só algumas qualidades. Mas é um país com muita tradição automobilística, pois é terra natal do pentacampeão mundial Juan Manuel Fangio. Nos anos 70, o piloto Carlos Reutemann e o preparador Orestes Berta eram destaques na imprensa automotiva.

 

E poucos sabem que a indústria automobilística deles começou antes da nossa brasileira. Foi através da eleição do presidente, em 1946, Juan Domingo Perón, que foi reeleito em 1952 que tomou impulso nos mesmos moldes da nossa.

 

A empresa IAME (Indústria Aeronáuticas e Mecânicas do Estado), sediada na cidade de Córdoba, começou a fabricar sob licença automóveis para várias camadas da população.  Foi criada por decreto em 28 de março de 1952.

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Seus modelos básicos, batizados com o nome do partido do presidente, Justicialista, eram derivados do Chevrolet 51, Borgward e dos Wartburg. Eram sedãs, picapes e peruas. Usavam motores de dois cilindros, de três em linha ou de quatro em “U” da Puch. Eram modelos simples, com acabamento rudimentar e motores inadequados para o porte dos carros. Mas queriam ir além e eram audaciosos.

 

Em 1952 começaram a desenvolver um esportivo com carroceria em fibra de vidro apoiada num chassi tubular em aço. Nesta época poucos países tinham domínio na construção de carrocerias “plásticas”. Um deles eram os Estados Unidos.

O modelo pré-série era um conversível com pára-choques envolventes, sua grade tinha a parte inferior retangular e a parte de cima formava um arco. Os faróis circulares eram inseridos nos pára-lamas dianteiros. Tanto a frente quanto a traseira tinham dimensões avantajadas. Seu pára-brisas era bipartido e o esportivo podia acomodar apenas dois passageiros. Após os bancos a carroceria era fechada até a tampa do porta-malas. 

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Dois anos depois o modelo definitivo era apresentado no Salão de Nova York. Tratava-se de um cupê 2+2 com linhas muito exóticas. Conservava a grade, os faróis circulares inseridos nos pára-lamas, mas seu capô tinha uma proeminência muito saliente. O pára-brisas dianteiro passava a ter uma só peça.
Visto de frente lembrava um tubarão feroz. Ainda mais com sua entrada de ar sobre o capô. Seu pára-choque dianteiro era também muito robusto antecipando o estilo adotado pelos americanos nos meados da década de 70. Apoiado neste havia dois faróis auxiliares de longa distância. Visto de lado também era pouco ortodoxo. Tinha pintura saia e blusa, janelas laterais curvas, de pequeno tamanho e sua traseira fastback terminava com rabos de peixe. No geral, o designer abria discussões. Mas ganhou o prêmio de elegância no salão. Este, cujo nome era Justicialista Gran Sport, media 4,29 metros de comprimento, 1,55 de largura, 1,45 de altura e distância entre-eixos de 2,4 metros. O cupê pesava 850 quilos.

 

A maior surpresa estava debaixo do capô. Montado atrás do eixo dianteiro estava um motor Porsche de quatro cilindros opostos refrigerado a ar. Sua cilindrada era de 1.488 cm³ (80 x 74) e potência de 55 cavalos a 4.400 rpm. Sua taxa de compressão era de 7,0: 1 e era alimentado por dois carburadores da marca Solex. Tinha tração dianteira e sua caixa de marchas tinha quatro velocidades. Como nos DKW alemães e nacionais, tinha sistema de roda livre. Apesar do peso e da mecânica de origem afamada, seu desempenho era muito modesto. Ficava em torno de 130 km/h. A suspensão dianteira e traseira eram independentes. Na frente contava com lâminas transversais e atrás com feixe de molas. Por causa da disposição do conjunto, não era um carro muito estável. Seus quatro freios eram a tambor e estava equipado com pneus na medida 5,50 x 16. Suas rodas eram em aço estampado e tinha calotas de desenho simples.

 

Por dentro acomodava bem dois adultos na frente. O painel era farto em instrumentos. Tinha mostradores circulares de desenho simples, mas bonito. Comportava um conta-giros, o velocímetro e no terceiro um marcador de temperatura de água e nível do tanque. O volante de dois raios tinha boa pega e tamanho adequado.

 

A maior ousadia ainda estava por vir. Em 1954 era apresentado no Salão de Paris o modelo Gran Sport GT V8. Por fora tinha alterações em sua carroceria conversível que o deixavam bem mais harmonioso. Sem maiores adereços, o conjunto estava mais plano e o pára-brisas era baixo o que acentuava sua esportividade. Pesava 950 quilos, tinha 4,1 metros de comprimento, largura de 1, 56, altura de 1,0 metro e distância entre-eixos de 2,4 metros. Sua carroceria também era em fibra de vidro. 

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Mas a maior e interessante novidade estava na motorização. Tratava-se de um motor de oito cilindros em “V” modular. A configuração desenvolvida pela IAME podia ter 2,4,6 ou oito cilindros em V. E era refrigerado a ar. Com oito cilindros desenvolvia 114 cavalos a 4.800 rpm. Tinha cilindrada de 2.974 cm³ (80 x 75), torque de 21 m.kgf a 2.600 rpm e era alimentado por quatro carburadores de corpo duplo. Sua caixa de marchas tinha quatro velocidades e sua tração era traseira. A suspensão dianteira era independente com molas helicoidais e atrás tinha esquema De Dion com lâminas transversais. Usava pneus na medida 6.00 x 16 e tinha rodas de liga leve. A empresa anunciava 170 km/h de velocidade máxima. 

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Em 1955 houve o golpe de estado, os militares assumiram e o presidente Juan Domingo Perón foi deposto. Parte das atividades da empresa encerraram e o partido Justicialista teve suas atividades interditadas. 

Foram produzidos 167 modelos com motor Porsche. Quanto ao V8 não passou do estágio de protótipo e segundo informações, não retornou ao seu país e deve estar em algum lugar na Europa. A perseguição política foi tanta que alguns proprietários do Justicialista Gran Sport destruíram seus carros ou tiraram os emblemas ou o substituíam pelo da empresa IAME. Poucos exemplares existem hoje. Foi uma tentativa corajosa de nossos “hermanos”. 



O Izabella Borgward

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A picape

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Outra com um cenário bacana. 

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E uma placa divertida. 

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E uma muito séria e interessante! O mais importante: Eles cumprem!

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