Ari, O Finlandês Voador. A Competência Nórdica

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Vários países do mundo tem tradição no meio do esporte automobilístico. Os ingleses e nós brasileiros tem mais campeões em Fórmula Um. Mas poucos conhecem os velozes homens nórdicos que tem a maestria do Rali.

Está modalidade do automobilismo teve início provavelmente junto com o nascimento das corridas de carro. As primeiras eram feitas em estradas ligando duas ou mais cidades e se iniciaram na França, Inglaterra, Itália e Estados Unidos. Por ser muito inseguro na época foram proibidas e foram para circuitos de rua ou autódromos que começavam a ser construídos. Na década de 50 corridas velozes entre cidades como a prova Targa Florio na Itália ou a Carrera Panamericana no México exigiam bastante dos pilotos e dos carros. Acidentes graves aconteceram e os organizadores locais foram obrigados a encerrá-las. Mas na Europa, com carros bem próximos aos de produção, a atividade não cessava. Contava com postos de controle, mesclava boas estradas, sempre fechadas para evitar acidentes e um dos mais importantes era o Rali de Monte Carlo que teve sua primeira edição em 1911. 

Na década de 50 já eram comuns e populares os ralis na Europa. Carros como o Mercedes 300 SL do belga Willy Mairesse, o Delahaye de Jean Trévoux ou o Jaguar XK 120 de Ian Appleyard eram destaques na provas monegascas, francesas ou italianas. 

Já na década de 60 nomes com Pat Moss, irmã de Stirling Moss e o sueco Eric Carlsson sempre estavam presentes nas manchetes de revistas e jornais esportivos. 


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O ano de 1970 foi marcado por dois grandes Ralis. O Londres Sydney e também o Rali da Copa que começou na Europa e terminou na cidade do México passando pela América do Sul e Central. E três anos depois, em 1973, a FIA, órgão máximo do automobilismo se oficializava o primeiro Campeonato Mundial de Ralis de Construtores. E também nesta década começava a pilotar o finlandês Ari Pieti Uolevi Vatanen. O finlandês nascido em abril de 1952 na pequena cidade de Tuupovaara. Esta tem 661,34 km2 de área sendo que 56,55 km2 de água. E nestes lagos congelados foi que Ari começou a “brincar” fazendo derrapagens controladas. Este país nórdico sempre foi referência em pilotos de rali como os renomados Hannu Mikolla, Markku Alen, Timo Mäkinen e Rauno Aaltonen sendo que estes dois últimos mais velhos de uma década que Ari. Mas que o inspiraram e passaram o vírus das corridas velozes e perigosas que não perdoam os menos habilidosos.

Ao completar a maioridade já começava a pilotar em ralis dentro de seu território pilotando um Opel Kadett Rally. Em sua terceira prova já tirava um segundo lugar e na sétima, no mesmo ano, ganhava sua primeira taça no Rali Tott-Porrassalmi. Ainda neste ano de 1971 chegaria outras duas vezes em segundo. 

No ano seguinte correria mais três provas com este carro e depois o trocaria por um Ford Capri 3000. Fez boas provas e tirou um terceiro lugar em Kymenlaakson, ganhou o Rali de Savo e já com um Opel Ascona, em sua segunda prova com este carro alemão, ganharia em Kalakukkorall. 

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Em 1974, disputando uma prova oficial do mundial, com um Ascona Grupo 2, disputou o famoso Rali dos Mil Lagos na Finlândia. Não foi feliz nesta, mas no campeonato local ainda tirou um segundo lugar e dois primeiros em provas nacionais.

 

Em 1976 começou a participar de provas fora de seu país principalmente na Grã-Bretanha. Já estava pilotando um carro muito competitivo e de grande tradição neste tipo de corrida. No difícil e conhecido Rali do Automóvel Clube Britânico RAC (Royal Automobile Club) tinha nas mãos um Ford Escort RS1800 Grupo 2. Ganhou provas muito importantes como o Rali Welsh, o Rali Jim Clark, A Volta da Grã-Bretanha, o Rali Burmah, o Rali Manx e o Lindisfarne. Ganhou notoriedade, as páginas da imprensa o citavam muito, mas também não o poupavam pelo fato de “sair” demais das estradas. Mas foi o Campeão britânico neste ano. 

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Em 1977 estreava em seu país com uma vitória no Rali do Ártico. Obteve também vitória no Rali da Escócia e no Rali Nokia na Finlândia. 
Já no Mundial participou do Rali de Portugal e do Safári na África sem sucesso, mas tirou um importante segundo na Nova Zelândia. Também participava com seu Escort no Campeonato Europeu de Turismo.

Em 1978 ganhava outra prova fora de casa. Em Donegal na Irlanda e também neste país o Cork 20 Rally. Outro bom triunfo foi no arquipélago português da Ilha da Madeira.

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Em 1979 corria o Rali de Monte Carlo a bordo de um Ford Fiesta 1600 tendo como co-piloto David Richards. Esta seria uma parceira duradoura e muito importante na carreira de Ari. Juntos tiraram terceiro na Nova Zelândia, segundo nos Mil Lagos pelo campeonato mundial. Já no inglês tornaram a ganhar no Chipre, que fora colônia inglesa por alguns anos e também no Castrol realizado em território britânico. Neste ano ainda competia no Campeonato de Turismo ora pilotando um Ford Escort RS ora um Triumph TR7.

 

Chegava à década de 80 que traria glórias muito importantes a este determinado e competente finlandês. Na Grécia, no Rali Acrópoles, ganhava sua primeira prova mundial com o companheiro Richards e o Ford Escort RS 1800. Tinha apenas 28 anos e enfrentou neste campeonato pilotos de renome como o alemão Walter Röhrl, os suecos Björn Waldegård e Stig Blomqvist, os franceses Bernard Darniche e Guy Fréquelin e seus patrícios Timo Salonen, Markku Alen e Hannu Mikkola. Quase todos bem mais experientes que ele. Estavam nesta competição carros do quilate do Lancia Stratos HF, Fiat 131 Abarth, Opel Ascona 400, Talbot Sunbeam Lotus, Datsun 160J e o Mercedes-Benz 450 SLC 5. 

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Confirmando a boa fase ainda faria o segundo nos Mil Lagos e também a mesma posição no San Remo na Itália.

O ano de 1981 seria melhor ainda. Tornava a ganhar na Grécia a prova de cascalho com percurso de 960 quilômetros.  Também foram vitoriosos no Rali do Brasil e nos Mil Lagos. Ari Vatanen era Campeão Mundial sendo que o vice ficava com a dupla francesa Guy Fréquelin e Jean Todt a bordo de um Talbot Sunbeam Lotus. 

O ano seguinte não seria tão bom para o finlandês, mas em 1983 estava com o Opel Ascona 400 e como co-piloto Terry Harryman. Na quarta prova do campeonato enfrentou e ganhou os 5.209 quilômetros do severo Safári disputado principalmente no Quênia. Foi um ano dominado pela italiana Lancia 037 e pelo famoso alemão Audi Quattro. Muito interessante neste ano foi ter disputado duas provas nacionais tendo como co-piloto sua esposa Rita Vatanen Ganharam um rali com um Opel Manta 400 na Finlândia, em Itäralli e tiraram um quarto lugar numa prova sueca. 

O ano de 1984 era de novidades para Ari. Ele começava a pilotar os famosos, potentes e perigosos carros do Grupo B. Estava com um Peugeot 205 Turbo 16 e com muita habilidade venceu consecutivamente o Rali dos Mil Lagos, o San Remo e o inglês RAC Rally. 

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Começava a temporada de 1985 com o Rali de Monte Carlo. Ari foi penalizado por não ter respeitado um posto de controle, mas fez uma recuperação brilhante numa de suas mais belas vitórias de Rali. Além da grande festa na chegada foram homenageados, ele e Terry Harryman com os troféus no Palácio do Príncipe Rainier de Mônaco. Uma bela festa para um grande campeão. Estava amadurecido e reconhecido por colegas de profissão e equipes adversárias. Tornou a ganhar a prova seguinte na casa de grandes adversários que eram os vizinhos suecos. Tanto estes quanto os finlandeses tem o hábito usar o pé esquerdo no pedal da embreagem e do freio aproveitando o direito só para acelerar. Neste mesmo ano teve quebras em várias provas, tirou o segundo lugar na Nova Zelândia e sofreu um sério acidente na Argentina que o tirou das provas por um longo período. Nesta época a FIA já estava disposta a tomar providências sérias, pois não achavam os carros do Grupo B seguros em relação a brutal potência oferecida pelos mesmos. Este marcante acidente, que quase lhe custou a vida, o deixou fora das competições durante dezoito meses e consequentemente fora do campeonato de 1986.

 

No final deste ano, sempre em 31 de dezembro, é dada a partida do famoso e fantástico Rali Paris Dakar com saída na capital francesa e chegada na capital Senegalesa. Junto com 286 competidores entre carros, motocicletas e caminhões, Ari tinha como companheiro Bernard Giroux. Com brilhantismo venceu a prova mais dura do mundo provando que estava em forma outra vez. Enquanto não estava por conta da equipe francesa, fez a prova do Safári com o Subaru cupê com tração integral e disputou os Mil Lagos com um Ford Sierra RS Cosworth tendo novamente Terry Harryman com navegador. Outra bela façanha foi a subida de Pikes Peak, nos Estados Unidos com um Peugeot 205 Turbo 16. Faria mais uma prova com um Sierra XR4 entre Hong Kong e Pequim.  Para fechar com o ano com brilhantismo, ganhou o Rali dos Faraós realizado no Egito onde a final se dá perto das três pirâmides. 

Em 1988 liderava o Paris-Dakar quando teve seu Peugeot 405 Turbo 16 roubado por motivos políticos. Mesmo assim neste ano as vitórias e belas conquistas não faltaram. Foram no Rali da Tunísia, no Rali do Atlas no norte da África, no Baja Monteblancos em território português e outra vez no Rali dos Faraós.


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Neste ano também subiu as colinas de Pikes Peak com o 405 Turbo mostrando uma habilidade fora do comum e batendo o recorde oficial. Fez a subida em 10:47:77 atingindo a máxima de
211 km/h neste carro que tinha quase 600 cavalos. Fazia de 0 à 200 em 10 segundos. Foi filmando pelo cineasta Jean-Louis Mourey que entitulou seu curta metragem de Climb Dance. E repetiu o feito em 1989. 

Também neste ano 
vencia outra vez o Paris-Dakar e o Rali dos Faraós sempre ao lado de Bruno Berglund. Em 1990 repetia mais uma vez o triunfo no Dakar e também o Baja Aragon na Espanha com um Citroën ZX. Era a vez do grupo PSA dar destaque a outros produtos da linha de montagem. 

Em 1991 ainda estava com muito fôlego e tornou a vencer a mais importante prova de longa duração do mundo com o Citroën ZX Rally Raid e mais outra vez no Egito. Junto com o motociclista Stéphane Peterhansel é o que tem mais vitórias até hoje no Paris-Dakar. Neste ano comprava uma bela propriedade no sul da França perto de uma importante estação de esqui, onde passava a maior parte do tempo com sua esposa e os filhos Kim, Ria, Tua e Max. Ari já falava correntemente a língua francesa. E nesta se desloca sempre em seu Citroën 2 CV particular.

Em 1992 faria várias provas do Mundial de Rali obtendo o melhor resultado no RAC com um Subaru Legacy 4WD.

Em 1993 com o mesmo carro japonês ganhava o Hong Kong-Pequim junto com Bruno Berglund. No ano seguinte tirava o terceiro na Argentina tendo como navegadora a italiana Fabrizia Pons. Junto com esta competente co-piloto, a bordo de um Citroën ZX Rallye-Raid tiraram terceiro no Rali da Tunísia, ganhavam o Rali do Atlas, o Baja Portugal e a subida do Vale do Isere na França. Neste meio tempo, com um Ford Escort RS Cosworth ganharam o Rali Internacional Pirelli em 1995.

Em 1996, com o Citroën ZX Rally Raid tirava o segundo na Tunísia e no Baja Portugal. E  ganhava o Baja Espanha, o Master Rali competido entre a França e a Mongólia, e com o Mitsubishi Lancer Evo3, outra vez o Hong Kong-Pequim. Era um ás das grandes distâncias. 


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Em 1997 obtinha suas últimas vitórias significativas ao volante de um carro de corridas. Ganhava mais uma vez o Atlas Rally e o Baja Portugal com o ZX, o Máster desta vez entre França, Itália e países do norte da Ásia e o Rali dos Emirados Árabes tendo como co-piloto Fred Gallagher.

 

Em 1999 era eleito pelo Partido Popular Europeu a uma cadeira no Parlamento Europeu. Tal como nas pistas fez uma bela carreira sendo reeleito em 2004 com o apoio de Nicolas Sarkozy. 

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Em 2008 ganhava o prêmio Gregor Grant Award, junto com Stirling Moss pelo reconhecimento de sua carreira automobilística. Este prêmio é dado desde 1989 pela prestigiada revista inglesa Autosport a personalidades do automobilismo mundial. 
Recentemente se candidatou a presidência da Federação Internacional do Automobilismo, mas perdeu para o antigo companheiro Jean Todt.

 

Os ralis são até hoje provas duríssimas e de altíssima precisão para pilotos principalmente. E Ari Vatanen teve sempre tempera para guiar os carros como poucos até hoje. É referência mundial no automobilismo e exemplo de político correto na Europa. 

 


 

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